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Pais e bons educadores são obrigatoriamente “maus”? Devem eles dar importância a críticas?

Pais e bons educadores são obrigatoriamente “maus”? Devem eles dar importância a críticas?

Imaginemos uma jovem mãe com todas as características: insegura, culpada, com o desejo expresso de não repetir o modelo autoritário da geração passada, mas, apesar de tudo, deseja educar seu filho e, ao perceber uma atitude inadequada da criança, parte para a ação (Zagury, 2003, p.72).

Bons educadores são vistos como pessoas más porque instituem e exigem comportamentos fundamentados em leis, com ritmo, disciplina e limites aos educandos, e não os mimam como “joias”. Os pais, entre serem maus mas educar bem, ou serem bons e educar mal, com mimos, (esses dois extremos), têm dúvidas quanto às condutas com os filhos só porque, em sua maioria, não são orientados de modo adequado, imitando uns aos outros com indisfarçada imaturidade, como fazemos adolescentes. Freud dizia que “adolescentes se avaliam mirando-se no outro adolescente”, elaboram a própria imagem e identidade com base nesse “outro”. É que o ser humano precisa ter uma identidade para ser aceito e se incluir na sociedade; isso equivale a conhecer-se e ser reconhecido, o que só acontece depois de evoluir por autoconquistas, analisando, concluindo, concordando, discordando, aceitando e recusando. Para evitar esse imenso trabalho em autoconquistas, é mais fácil e confortável ser reconhecido valorizando e imitando “outros”, para se valorizar sendo valorizado por esses “outros”. É o hedonismo que leva muitos pais a mimar os filhos para serem “bonzinhos”, como os outros, embora se transformem em maus educadores.

Os filhos precisam ser educados sem imitações, sem hedonismo, para aprender que seres humanos são diferentes entre si em todos os aspectos, e que, apesar disso, a vida em sociedade é ótima quando se convive lidando bem com as diversidades, adversidades e diferenças. Este é um objetivo da boa educação alcançado pela autoestimulação precoce e continuada, porque os pais, bem orientados, adotam condutas autênticas com os filhos, que é a base da excelente educação. Os pais não podem ter medo de errar, porque é impossível nunca errar, isso é uma utopia; a procura exaustiva do acerto faz o ser humano progredir pela busca do que a maioria considera impossível. Segundo Oscar Wilde:
“Um mapa do mundo que não inclua o país da Utopia não merece nem mesmo um olhar, pois ignora o único país ao qual a Humanidade constantemente chega. E quando a Humanidade lá atracar, fica alerta, e levanta novamente as âncoras ao vislumbrar terra melhor...” (Alves, 2004b, p.118).

Os acertos só acontecem depois de tentativas, sejam bem ou malsucedidas; não se adquire conhecimentos, experiência e competência sem tentativas, erros e acertos. Os filhos são aprendizes, com os mesmos direitos de tentar, errar e acertar dos educadores, que também continuam aprendizes, principalmente da educação de filhos. Filhos copiam o modelo familiar rumo à perfeição por tentativas e erros, mas acabam acertando e incorporando a noção de que vale a pena tentar sempre, nunca imitar terceiros, porque, mesmo errando, autoconquistam a felicidade autêntica apenas por aprenderem a não errar.
É importante que os pais atuem com segurança, de forma autêntica, a despeito de opiniões e críticas, não se deixando influenciar por terceiros e evoluindo com seus filhos por meio de autoconquistas rumo à felicidade plena. Tania Zagury diz:

Adquirir segurança do que se quer na educação dos nossos filhos é, por mais difícil que pareça, a chave para termos sucesso [...] em harmonia de propósitos com nosso marido ou esposa é também uma fonte preciosa de segurança para os pais de hoje. As divergências devem ser resolvidas longe da presença das crianças. As decisões devem ser seguidas com firmeza e determinação, independentemente da opinião e das críticas dos outros [...] amigos, parentes, vovós que vivem querendo nos criticar (2003, pp. 73 e 74 – grifos nossos). 

Os pais, ao autoestimular os filhos, autoestimulam-se, num processo de feedback, para serem ótimos educadores. Apesar de o meu modo de educar ser uma inovação e parecer estranho, ele não é. Minhas crianças e adolescentes evoluem  autenticamente felizes, sem transtornos comportamentais, e as críticas que recebo se esgotam diante de seus sucessos. Inovações sempre podem encontrar oposição no início; mesmo Albert Einstein comprovou suas teorias só muitos anos depois de enunciadas.

Octavio Paz dizia que “os verdadeiros sábios não têm outra missão que aquela de nos fazer rir por meio dos seus pensamentos e de nos fazer pensar por meio de seus chistes” e Friedrich Nietzsche “De toda verdade que não é acompanhada por um riso, pelo menos deveríamos dizer que é falsa” (Alves, 2000b, pp.9 e 11).

É  fundamental atualizar a educação dos filhos, “desvestir” o velho e esquecer o que se aprendeu. Ernst Cassirer afirmou: “A dificuldade real está menos na aprendizagem de uma nova linguagem que no esquecimento da linguagem anterior...” (Alves, 2000a, p.83).

KLAJNER, Henrique. A autoestimulação e seus reflexos na educação. São Paulo: Marco Zero, 2011.

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