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Afastamento dos pais de suas famílias de origem

Afastamento dos pais de suas famílias de origem

A função da família é levar cada um de seus membros a uma posição de independência emocional e estabelecer a capacidade de cada um se manter sobre os próprios pés. Enquanto os pais permanecem dependentes de seus próprios pais ou buscam aprovação dos outros, não serão capazes de estabelecer sua própria família, de modo que permitem a interferência indesejável externa. Não se separar da família de origem significa que se mantém o modo infantil e dependente nas relações — um modo que será repetido nas relações com o parceiro e com os filhos. O resultado disso é que a família se torna disfuncional. É essencial, portanto, que se estabeleça um afastamento dos próprios pais, de modo que se possa transmitir esta independência à própria família.

Autoestima elevada dos pais

As qualidades dos pais com autoestima elevada já foram delineadas. Esse tipo de pais produzirá níveis semelhantes em seus filhos e será eficaz na criação de uma família harmoniosa. Lastimavelmente, a autoestima elevada é um fenômeno raro e há poucos de nós que não precisam trabalhar para a elevação do senso do eu. Quando a autoestima dos pais é elevada, o bem-estar da família está assegurado, mas o inverso também é verdadeiro. Como já mencionado, é bom que os parceiros assumam a responsabilidade individual por suas próprias dúvidas sobre si mesmos, enquanto apoiam e encorajam o outro no processo de autodescoberta. Não é bom para um pai (mãe) acreditar que a família fornecerá o que é necessário para a elevação da autoestima.

Há adultos que são genuinamente amados pelos membros da família e outros, cujo próprio ódio e rejeição de si mesmos os impede de internalizar as mensagens de amor. Mudar a autoestima de um adulto envolve basicamente a criação de uma relação de amor com outra pessoa. As relações do casal e da família podem fornecer um ambiente sustentador e encorajador para que esse processo ocorra, mas a responsabilidade maior pela mudança repousa no próprio indivíduo. Adultos que são pais têm mais uma responsabilidade, que é mudar a maneira como se relacionam consigo mesmos por causa do efeito que isso tem sobre os filhos e sobre a relação conjugal.

Relação conjugal harmoniosa

Quando os pais se relacionam bem um com o outro, a harmonia se derrama sobre as relações familiares, mas o inverso também é verdadeiro. A primeira responsabilidade de pais em perspectiva e dos casais já com filhos é desenvolver uma visão positiva sobre si mesmos. A segunda responsabilidade é assegurar que, como a relação de um com o outro age sobre a família, ela seja um modelo positivo para todas as outras relações familiares. Os filhos dependem totalmente dos pais e, se testemunham conflitos frequentes entre eles, tornam-se medrosos e inseguros. A recomendação para a criação de relações familiares eficazes aplica-se igualmente à relação conjugal.

Consciência do que constrói uma família feliz

A paternidade é a “profissão invisível”. Não há treinamento exigido para ela, embora suas responsabilidades sejam imensas. Não apenas a pessoa tem responsabilidade por si mesma e pela relação conjugal, como também é responsável pelo desenvolvimento emocional, social, sexual, físico, educacional, comportamental, criativo e espiritual dos filhos.

Quando falta aos pais o conhecimento do que é preciso para uma paternidade efetiva, ou eles retornam ao comportamento que os seus pais tiveram ou fazem exatamente o oposto. A reação pode ser detrimental para o bem-estar da família.

As habilidades essenciais que os pais precisam ter consciência e adquirir para criar uma família feliz são:

• Capacidade para reconhecer os modos de se relacionar que prejudicam a autoestima e bloqueiam a harmonia familiar.

• Capacidade para formar uma relação de amor incondicional com cada membro da família.

• Capacidade para resolver problemas que criam a desarmonia familiar.

• Capacidade para resolver as próprias necessidades e responder positivamente às necessidades razoáveis de cada membro da família.

• Capacidade para expressar positivamente todos os sentimentos e responder construtivamente aos sentimentos expressos pelos membros da família.

• Capacidade para ouvir e se comunicar direta e claramente.

• Capacidade para ser responsável e promover comportamento responsável nos membros da família.

• Capacidade de desenvolver a própria individualidade e independência e aquelas dos membros da família.

• Capacidade de se opor à interferência indevida de influências externas à família. O propósito principal é delinear o conhecimento e as habilidades necessárias à criação de uma família eficaz. O que é necessário é a prática regular dos modos de relacionamento aqui recomendados.

Circunstâncias sociais e materiais favoráveis

A necessidade de circunstâncias sociais e materiais favoráveis como base para a harmonia familiar precisa de pouca elaboração. É muito mais fácil satisfazer as necessidades emocionais e outras da família quando os recursos materiais estão disponíveis e o desemprego não constitui um fator. Porém os recursos materiais e o emprego não garantem a felicidade familiar — muito ao contrário em alguns casos. O materialismo, enquanto filosofia de vida, não trouxe paz, serenidade e contentamento aos seres humanos. As necessidades destes vão muito além da riqueza material.

Libertação das influências externas à família

Uma família precisa ter uma fronteira clara ao seu redor que indique que é uma unidade familiar que amplamente determina quem é, o que faz e quem permite cruzar os limites familiares. É importante que essa fronteira não seja muito rígida, pois uma família precisa de conselhos, informação, apoio e auxílio externos. Porém a iniciativa para a influência externa precisa vir da família. Dizer a uma família o que fazer e como ser é uma invasão grosseira da privacidade familiar. Mesmo quando há sinais de infelicidade e negligência, embora seja bom que elementos externos expressem preocupação e ofereçam ajuda, não é sábio dar conselhos não solicitados. Porém, se depois de tal preocupação, as crianças continuam a ser negligenciadas, então essa preocupação deve ser expressa e participada de modo a parar a negligência, encorajar a responsabilidade e fornecer o auxílio profissional que pode ser necessário para trazer a mudança desejável.

A questão aqui é a influência indevida de elementos externos à família, pessoas que podem exercer uma influência negativa poderosa sobre o funcionamento da família, enfraquecer as relações conjugais e prejudicar a autoestima dos membros da família. As pessoas que interferem mais comumente nas famílias são: parentes por afinidade (que vivem com a família ou fora dela), parentes, vizinhos e amigos.

Avós e parentes por afinidade que vivem junto à família são fontes típicas de influência negativa sobre ela. Esses elementos “externos” podem dizer à jovem mãe o que fazer e o que não fazer, podem esperar que ela esteja ali o tempo todo, podem interferir com a educação das crianças e podem enfraquecer as relações conjugais. Trabalhei com mulheres que, ao se casarem, passaram a morar com parentes por afinidade e a sentir que não tinham voz ativa no funcionamento do lar. Não é sábio, mesmo quando tais parentes são positivos e independentes, tentar estabelecer uma nova família sob o mesmo telhado de uma família já existente. É uma situação confusa de três gerações, na qual a autoestima de todos pode ser facilmente prejudicada. Os pássaros precisam voar e abandonar o antigo ninho e construir os próprios ninhos. Um casal jovem precisa ter o seu próprio espaço físico para ter a oportunidade de estabelecer uma vida familiar independente. Em um lar de três gerações, a questão do “quem faz o quê” pode se tornar a fonte principal de disputas.

A privacidade é mais importante do que a propriedade; a frase “a casa será de vocês depois que nós partirmos” não deve influenciar o jovem casal para que deixe de procurar o seu próprio espaço.

Os pais e os parentes por afinidade podem viver por mais trinta ou quarenta anos e o jovem casal não deve adiar o seu direito à independência por qualquer espaço de tempo ou esperar por tantos anos. Igualmente é bom para o jovem casal lembrar-se de que seus pais sobreviveram sem eles antes de terem nascido. Proteção de pais saudáveis e ativos somente prejudica a autoestima deles e mantém a dependência — o que dificilmente constitui um ato carinhoso.

Do mesmo modo, pais e parentes por afinidade externos ao lar podem exercer influências negativas. Trabalhei com mulheres cujas mães e sogras tinham a chave do lar da jovem família e iam e vinham como lhes agradava. Este não é um comportamento aceitável; o jovem casal precisa afirmar o seu direito à privacidade e ser consultado antes das visitas.

Há pais que esperam que os filhos ou as filhas casados estejam à mão sempre que deles precisem sem considerar se é ou não conveniente fazer o que está sendo pedido. Embora os jovens casais possam querer responder a um pedido dos pais, precisam também ser capazes de dizer “não”, quando outras prioridades necessitam de sua atenção sem criar uma tormenta emocional. Além disso, é bom estabelecer que o compromisso consigo mesmos e com seus próprios filhos é a prioridade.

Vizinhos, tios, tias e amigos podem exercer uma grande influência sobre a dinâmica da família. Há pais que têm grande dificuldade em dizer “não” a essas pessoas e permitem que elas controlem a vida conjugal, dirijam os seus filhos e o seu lar como mais lhes agradar. Tais famílias são muito abertas às influências externas e, assim, as crianças se tornam confusas, os pais se sentem desamparados e não há nenhum senso de unidade familiar e harmonia.

O trabalho também pode influenciar indevidamente a família. O pai cuja carreira ocupa grande parte de seu tempo livre negligencia a si mesmo, a relação conjugal e a família. Trabalhei com muitos homens que, mais tarde na vida arrependeram-se de não terem passado mais tempo com suas esposas e filhos. Frequentemente se sentiram feridos quando seus filhos, quando adultos, não mantinham contato, exceto aquele contato pobre que refletia o que tinham dado a seus filhos e suas filhas quando eram crianças. “O que você planta, você colherá.”

A tarefa é clara: o jovem casal precisa se assegurar que as pessoas de fora, o trabalho ou o estudo não levem à negligência do bem-estar da família ou a uma perda da unidade familiar. De maneira clara, firme e positiva, é preciso dizer àqueles que tentam interferir que, embora sejam amados e bem-vindos ao lar, não devem interferir com o funcionamento da família. Quando os pais negligenciam essas responsabilidades, negligenciam a si mesmos e à sua família e as consequências são uma família infeliz, confusa e sem liderança.

HUMPHEREYS, Tony. A família: Ame-a e deixe-a. São Paulo: Ground, 2000.

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