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Educação ética

Educação ética

[...] ouve-se falar, repetidamente, que estamos vivendo uma crise de valores [...] Haverá algum jeito de mudar essa situação? (Zagury, 2003, pp. 217 e 218).

Só existe crises de valores quando os praticados são diferentes dos que constam nas leis; além de praticados, eles são ensinados, incorporados e autorizados por ignorância, imprudência ou descaso e, pior, não são substituídos por outros verdadeiros a contento e em tempo hábil.

A realidade atual continua sendo a exteriorização, talvez mais evidente e abusiva, de valores praticados há séculos e transmitidos de geração em geração como se ainda fossem atuais e perfeitamente válidos. Apesar dos modernos conhecimentos e críticas, eles vigoram, trazendo prejuízos. Apesar das propostas sugerindo mudanças e soluções, nada de eficaz está sendo feito num âmbito mais universal. Ao contrário, contam com a adesão da maioria crescente, talvez não tanto por opção, e mais por acomodação geral, embora seja unânime a vontade de reverter a situação atual e de voltar à moral e à ética dos tempos em que aqueles valores eram válidos, mas o caminho para isso está difícil de ser encontrado em função das modernidades. Todos querem a volta da bondade, da caridade, da humildade, da cultura e do engrandecimento da personalidade, da mente e do espírito por meio do saber e da prática das boas e nobres ações. Mas, na contramão disso, valoriza-se apenas o “ser melhor, o mais esperto”, o vencer chegando na frente a qualquer custo, sem se importar com os meios ou com o aprimoramento da própria personalidade.

É uma inversão de valores que entristece os bem-intencionados (talvez, estes sejam a verdadeira maioria, de apenas boas intenções o mundo está cheio), que querem revertê-la de algum modo. Concordo que medidas corretivas, punitivas e bloqueadoras de maus comportamentos devam ser adotadas, mas estou convencido de que elas só têm eficácia momentânea, fugaz, e, sozinhas, não são suficientes para a reversão universal definitiva. A incorporação dos verdadeiros valores ético-morais só acontecerá com a mudança da educação, da maneira que se adotar na transmissão desses valores desejados. Devemos aprender e ensinar, esclarecer pais e educadores como proceder com os filhos desde o nascimento, para que a nova (antiga?) ética seja aprendida e incorporada. Penso que serão necessárias pelo menos três gerações, e a única forma de se conseguir esse intento é a autoestimulação precoce e continuada.

KLAJNER, HENRIQUE. A autoestimulação e seus reflexos na educação. São Paulo: Marco Zero, 2011.

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